domingo, 27 de dezembro de 2020
A Bíblia na Universidade
sexta-feira, 25 de dezembro de 2020
Registro de uma manhã de Natal
domingo, 20 de dezembro de 2020
Grande "reset" mundial
A origem etimológica do termo entre aspas é "refazer", "começar de novo", "restaurar". O verbo resetar, portanto, designa a condição na qual existe a necessidade de, sob critérios específicos, dar nova forma a alguma coisa ou, mais precisamente, trazer tal coisa à sua forma original. No entanto, no âmbito de um reset mundial, isto é, de uma nova forma do sistema do mundo, o intento não é restaurar as condições existenciais do indivíduo na sociedade, mas reforçar o panorama de supressão da sua liberdade já entrevisto no contexto atual. Ao analisar a vivência da sociedade através de um prisma histórico, é possível perceber uma disparidade interessante: o progresso material da sociedade não acompanha a afirmação da liberdade do indivíduo. Na verdade, acontece exatamente o contrário.
Na Idade Média, no contexto do Feudalismo, por exemplo, os meios efetivos através dos quais o indivíduo poderia afirmar a sua liberdade, exigir a validação dos seus direitos em face também dos direitos do senhor feudal, eram, comparados ao contexto atual, imensamente maiores. O senhor feudal dispunha de algumas dezenas de soldados que, não obstante, eram camponeses que cultivavam suas porções de terra dentro dos limites do próprio território feudal e, portanto, se defendessem o feudo, defenderiam seu meio de subsistência também, mas, contra os membros deste mesmo feudo, o nobre não dispunha de meios efetivos de coerção. Num contraste trágico, hoje, os indivíduos que vivem como servos das "glebas" multinacionais nos grandes centros urbanos, são facilmente doutrinados pelo panorama dos valores dos novos e imensamente poderosos senhores feudais.
Os tais senhores feudais contemporâneos detêm, na verdade, um poder que está muito para além dos limites da imaginação dos seus pares do passado. Na realidade da condição humana vivenciada entre os séculos V e XIII, na Alta Idade Média, ao contrário do que a propaganda revolucionária apregoa desde, pelo menos, o século XVIII, a experiência da efetiva liberdade era uma realidade. Se um nobre decidisse agir com tirania, infringindo o contrato de terras estabelecido entre si e os camponeses, como faria para assegurar sua autoridade? Disporia seus soldados contra os membros do feudo? Como, se estes mesmos eram os membros do feudo? Se esta situação, num momento de crise, ganhasse forma na realidade, só uma força resistiria: a rebelião das massas. Sem os meios tecnológicos de coerção efetiva, o senhor feudal se veria num embate tête-à-tête contra o seu povo encolerizado. Seriam espadas e escudos contra foices, machados, paus e pedras.
Hoje, com a abundância de novos e cada vez mais sofisticados meios de controle das massas, é fácil perceber que aqueles que exercem o poder, o fazem desde os píncaros de uma tecnocracia tirana. A experiência das redes sociais, as funções cada vez mais invasivas dos aplicativos de celular, o monitoramento constante das pessoas nas zonas urbanas, o enviesamento dos noticiários da grande mídia são alguns exemplos do poder dos senhores feudais da atualidade. Estes, aliás, se arrogam o direito, inclusive, de decidir se um ser humano deve ou não viver: a campanha global pró-aborto é a prática, forçada, do corpo de valores e crenças desses senhores. O desejo da morte de bebês no ventre de suas mães é mais uma mostra da disparidade, da desarmonia entre os valores da sociedade.
Na Idade Média e, mais precisamente, antes do advento do Estado Moderno, o mesmo corpo de valores, crenças e doutrinas religiosas observados pelos governantes era também observado pelos membros do povo. O conflito de cosmovisões era, no geral, inexistente e, quando surgia num contexto restrito, permanecia aí, fora do campo de visão dos elementos protagonistas da sociedade. Hoje, não mais. A religião dos governantes se tornou esotérica para o povo, implicando, portanto, no surgimento de uma série de conflitos de valores. Basta constatar a simpatia dos líderes atuais pelo aborto, pela liberação das drogas e pela união homossexual, por exemplo. A sociedade atual caminha para um desfecho no qual o enredo oficial será a narrativa dos detentores do poder máximo. Um contexto no qual a liberdade do indivíduo como a conhecemos não mais existirá e tudo o que será seu por direito será o dever de pedir permissão.
sábado, 19 de dezembro de 2020
Estrela de Bethlehem escaldante
domingo, 6 de dezembro de 2020
Comentários sobre "Machado de Assis -- Estudo crítico e biográfico", de Lúcia Miguel Pereira
sexta-feira, 27 de novembro de 2020
As boas obras de um chato de galochas
"A fé sem obras é morta", disse eu. Pra quê?! Despertei a cólera do meu interlocutor que, sentado à mesa comigo, queria a todo custo me fazer abandonar a Fé Católica. A conversa, na verdade, seguia amistosa e, de minha parte, carregada de bom humor. Era mais um daqueles diálogos sobre Religião que acontecia frequentemente em casa e nos quais eu me envolvia com prazer. Meu interlocutor tentou desconversar, negar o que eu acabara de dizer, invalidar a realidade da implicação das boas obras na salvação da alma. Tentei explicar o que eu entendia sobre o tema: "Fulano, as boas obras são a prática do amor ao próximo. O amor não é um mero sentimento de simpatia abstrata pelo outro. Não. É, antes de tudo, uma ação concreta e objetiva na realidade e é claro que isso implica nas boas obras, ora!". Percebi, então, que o meu interlocutor tinha plena consciência disso, ele não era tão estúpido assim. Percebi também que havia algo no seu comportamento que ele tentava dissimular: o sujeito, na verdade, se sentia muito incomodado com as palavras que eu utilizava. Ele, que era um protestante, torcia o nariz toda vez que ouvia a expressão "boas obras", como se isso fosse coisa feia, desprezível. Que diatribe é essa?! Ora, eu só pude chegar a uma conclusão: a degeneração chegou a tal nível que as pessoas têm reações psicológicas às palavras sem nem sequer se darem conta disso e, pior, com isso elas se afastam da realidade, trocam-na por um superficialismo perigoso no qual tudo o que importa é seguir os ditames desta ou daquela doutrina a despeito dessas coisas serem ou não reais.
O meu interlocutor tinha asco das palavras que lhe soavam "católicas demais". Era isso. Ele não imaginava que as palavras tivessem referentes na realidade, que elas tivessem que se referir às coisas existentes em possibilidade e em imaginação. Ora, se as boas obras expressam as ações objetivas que eu tenho para com o meu próximo, como raios eu poderia pensar que isso não pudesse implicar na salvação da minha própria alma? A expressão "boas obras", por acaso, não tem uma significação real para o indivíduo que se beneficia delas? O que é isso, senão amor ao próximo? O amor ao próximo existe apenas como abstração? Se não, como expressá-lo? É subentendido que conversávamos sobre a percepção protestante da salvação da alma. "Sola Gratia" salva o homem. Ele insistia que, estando eu predestinado ou não à salvação, não havia nada que pudesse ser feito para mudar o que fora de antemão decidido por Deus. Então, tentei mais uma vez dizer o que eu entendia sobre o tema: "Fulano, somente Deus detêm a perspectiva onisciente da realidade, Ele não está preso à temporalidade, portanto, é óbvio que para Ele todas as coisas estão predestinadas. A questão não é essa. Nós existimos em Deus e, portanto, participamos da sua liberdade -- e Ele não está predeterminado a nada".
"Veja", continuei, "Christo, quando questionado sobre quando seria o Dia do Juízo, disse que não sabia, que isso era conhecimento exclusivo de Deus Pai. Estranho! Jesus Christo é o Logos Divino, como não saberia de uma coisa dessas?! A resposta é simples, fulano: isso significa que o Dia do Juízo não está predeterminado por Deus, mas será fruto de sua decisão exclusiva; será fruto do uso da liberdade divina. Deus Pai é a onipotência, Deus filho é a onisciência. Ele nos permitiu a participação de uma parcela infinitesimal da sua liberdade, com a qual podemos amá-lo. A tensão entre o Determinismo e o Livre-Arbítrio em nós é real, porque, se nada nos estivesse predeterminado, então teríamos a liberdade divina integral e, por outro lado, se tudo nos fosse predeterminado, então isso significaria dizer que Deus nos vê apenas como coisas, não como entes que participam da sua liberdade".
Ele me ouvia cada vez mais interessado. Tentei explicar que essa tensão é real, que tentar entendê-la só dá dor de cabeça, porque nós somos parte integrante do problema. Nós somos o problema. Não podemos nos colocar para fora da realidade e julgar a causa da Predestinação e do Livre-Arbítrio; nós estamos no meio desse tiroteio. Cada vez que escolhemos algo, nós o fazemos entre os elementos que estão aqui, na realidade. É impossível fugir da tensão entre as duas coisas, porque a própria existência humana acontece sobre essa tensão, ela está presente na nossa vida. Finalizei o diálogo colocando mais café na xícara e dizendo: "Sabe, fulano, uma das coisas mais cretinas do mundo é tentar explicá-lo através de termos imprestáveis. Se essa ou aquela palavra não serve para explicar isso ou aquilo -- pelo contrário, só aumenta a confusão --, então por que usá-la?". Por fim, arrematei: "Vá praticar boas obras e deixe de ser besta!".
quarta-feira, 25 de novembro de 2020
O Curioso Comportamento d'uma Jovem Astróloga nas Redes Sociais -- Crônica.
Estava eu a correr os olhos pelos stories de uma certa moça no Instagram, quando, subitamente, deparo-me com uma imagem que fez os meus instintos do baixo-ventre se atiçarem sobremaneira: tratava-se d'uma foto na qual apetitosos pães de queijo eram soberbamente exibidos. Com a boca cheia d'água fui, no impulso, cumprimentar a prendada autora daquelas obras-primas gastronômicas. Lancei mão d'uma linguagem carregada de empolgação, de contentamento, mas, porca miséria!, não fui bem interpretado. Encantado pela imagem convidativa, eu disse que abandonaria São Paulo e desceria mais para o Sul, a fim de encontrar-me com a donzela que fabricara aqueles benditos pães de queijo. Em tudo isso, claro, estava subentendido, na linguagem hiperbólica, o gracejo inocente que só pretendia expressar a alegria de ver um dos meus pratos diletos tão bem preparados, tão bem acabados na foto. Ledo engano! A moça que, segundo consta nos seus perfis, é versada nas investigações astrológicas da realidade, além de também dominar a Cartomancia e, pasmo-me eu, saber dançar a perigosa dança do ventre, achou que eu a estava cortejando. Eu, que nada sei de Astrologia, que não tenho domínio algum da interpretação da linguagem simbólica do Cosmos, que, tudo o que fiz, foi me deixar embasbacar pelos pães de queijo, estava agora a cortejar o coração d'uma donzela que nunca vi mais gorda ou mais magra na minha frente.
Que coisa esquisita! A astróloga, agora ressabiada, lançou mão do escudo contra um inimigo que nem espada carregava. Disse que seu coração pertencia a um carioca que, assim como eu, prometera descer mais para o Sul para comer-lhe os pães de queijo e consultar-se sobre os detalhes ocultos da sua vida com os poderes místicos da pretendida namorada. E mais, escreveu-me um longo texto no qual narrava o quanto o tal carioca era versado em não sei que arte da guerra, que mataria qualquer um que se lhe atravessasse o caminho entre o Rio e o Paraná -- se não me falha a memória do local da residência da mística do Instagram. Pois bem, eu fiquei mesmo encucado com a situação. Nos últimos meses, comecei a querer saber mais sobre Astrologia -- esse fora o real motivo que me levou a tê-la nas redes sociais --, mas, pensei, se ela assim discerne as figuras de linguagem, como discernirá as figuras do céu? Não! Eu não me consultaria com ela nem se me caísse nas mãos uma carta psicografada com o remetente do próprio Nostradamus recomendando-me os seus serviços. Mas, como o coração tem razões que a própria razão desconhece, ignore-me o leitor, porque sou um fingidor. Eu queria mesmo era ir para o Sul, comer pão de queijo e ser feliz.
* bati esta foto da página 183 da 3º edição do livro O Jardim das Aflições.
Alice se despede Cento e cinquenta e cinco verões se passaram no jardim de Woolsthorpe desde que Alice deixou cair sua maçã. Sob os seu...
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* A aristocracia romana, para se referir àquilo que lhe parecia ordinário, numa acepção de baixo, sujo, desprezível, habitualmente faz...













